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3/3/2010
Fonte: Brasil Econômico
Temos hoje, segundo dados oficiais, cerca de 150 automóveis privados por mil habitantes para um PIB per capita da ordem de US$ 6.000 anuais.
Ao comparar os dados com o de países mais desenvolvidos e, considerando que o PIB per capita deve pelo menos dobrar nas próximas duas décadas, é possível estimar pelo menos mais um automóvel trafegando para cada um em circulação atualmente no Brasil.
Os centros urbanos das cidades médias e grandes do País já se encontram tomados por congestionamentos.
E esses congestionamentos continuarão crescendo. Por mais que se invista em engenharia de tráfego, não haverá como acomodar o aumento da motorização individual no limitado espaço viário urbano.
Ou seja, se continuarmos adotando as mesmas práticas, obteremos cada vez mais do mesmo: desperdícios de tempo, maior consumo energético e mais emissões.
Para contar com um transporte urbano mais sustentável precisamos nos apoiar em quatro pilares: desestímulo ao uso do automóvel; melhoria do transporte coletivo; incentivo ao transporte não motorizado e integração de uso do solo e transportes. Desestimular não é proibir.
Londres, por exemplo, implantou o congestion charging, uma forma de pedágio aplicado em determinados locais e períodos do dia, que permite a circulação de veículos sob pagamento de uma taxa.
A experiência em cidades europeias e asiáticas revela que, através da cobrança pelo uso das vias nas áreas centrais de grandes cidades nos períodos de maior utilização, conseguimos ajustar os volumes à capacidade e garantir um padrão sustentável de tráfego.
Ainda, com os recursos arrecadados canalizados para o transporte coletivo, podemos contar com um sistema de transporte na superfície mais interessante e eficiente.
Enquanto uma faixa viária urbana consegue dar vazão a 1.500 usuários de automóvel/hora, a mesma faixa para o sistema BRT (Bus Rapid Transit) propicia a circulação de 15.000 usuários/hora.
Um transporte coletivo de qualidade por corredores exclusivos passa a ser opção para quem valoriza o seu tempo e não quer ficar preso no trânsito.
Esse é um dos debates que queremos aprofundar em Curitiba, durante a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010) no painel sobre Inovações para o Transporte sustentável, que terá a participação do CTS-Brasil e Rede EMBARQ.
Por Luis Antonio Lindau