Transporte sustentável

Desde 1970, a população brasileira pouco mais que dobrou, mas a frota veicular multiplicou por dez. Enquanto as projeções indicam uma estabilização da população nas próximas décadas, a quantidade de automóveis particulares no Brasil vai continuar crescend

Fonte: Brasil Econômico

Temos hoje, segundo dados oficiais, cerca de 150 automóveis privados por mil habitantes para um PIB per capita da ordem de US$ 6.000 anuais.

Ao comparar os dados com o de países mais desenvolvidos e, considerando que o PIB per capita deve pelo menos dobrar nas próximas duas décadas, é possível estimar pelo menos mais um automóvel trafegando para cada um em circulação atualmente no Brasil.

Os centros urbanos das cidades médias e grandes do País já se encontram tomados por congestionamentos.

E esses congestionamentos continuarão crescendo. Por mais que se invista em engenharia de tráfego, não haverá como acomodar o aumento da motorização individual no limitado espaço viário urbano.

Ou seja, se continuarmos adotando as mesmas práticas, obteremos cada vez mais do mesmo: desperdícios de tempo, maior consumo energético e mais emissões.

Para contar com um transporte urbano mais sustentável precisamos nos apoiar em quatro pilares: desestímulo ao uso do automóvel; melhoria do transporte coletivo; incentivo ao transporte não motorizado e integração de uso do solo e transportes. Desestimular não é proibir.

Londres, por exemplo, implantou o congestion charging, uma forma de pedágio aplicado em determinados locais e períodos do dia, que permite a circulação de veículos sob pagamento de uma taxa.

A experiência em cidades europeias e asiáticas revela que, através da cobrança pelo uso das vias nas áreas centrais de grandes cidades nos períodos de maior utilização, conseguimos ajustar os volumes à capacidade e garantir um padrão sustentável de tráfego.

Ainda, com os recursos arrecadados canalizados para o transporte coletivo, podemos contar com um sistema de transporte na superfície mais interessante e eficiente.

Enquanto uma faixa viária urbana consegue dar vazão a 1.500 usuários de automóvel/hora, a mesma faixa para o sistema BRT (Bus Rapid Transit) propicia a circulação de 15.000 usuários/hora.

Um transporte coletivo de qualidade por corredores exclusivos passa a ser opção para quem valoriza o seu tempo e não quer ficar preso no trânsito.

Esse é um dos debates que queremos aprofundar em Curitiba, durante a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010) no painel sobre Inovações para o Transporte sustentável, que terá a participação do CTS-Brasil e Rede EMBARQ.

Por Luis Antonio Lindau