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23/8/2010
Fonte: Brasil Econômico
Na semana passada, Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), iniciou uma cruzada a fim de que o governo federal adote medidas para conter a importação de aço.
Seu principal argumento: com a Europa em crise e a China com sua tradicional sobra de todo tipo de produto, o Brasil pode ser inundado com laminados siderúrgicos com preço aviltante.
Seu principal receio: que os órgãos responsáveis por coibir práticas de comércio desleais atuem com morosidade e ponham em risco os investimentos e os empregos criados pelas empresas nacionais para dar conta do aumento da demanda por carros, construções civis e eletrodomésticos.
Ninguém duvida de que a deslealdade comercial precisa ser combatida e o governo federal tem de tomar as providências necessárias para impedir que as companhias instaladas no Brasil - nacionais ou não - sofram esse tipo de concorrência.
Mas é preciso levar em conta o que tem ocorrido no mercado interno quando se decide colocar um segmento industrial dentro da redoma.
Ainda hoje se percebem as consequências da reserva de mercado de informática, que, a pretexto de fomentar um parque nacional de empresas de computadores, acabou produzindo atraso tecnológico e artigos mais caros para os consumidores.
Na área de metais não ferrosos, essa preocupação em preservar o mercado interno das deslealdades do comércio internacional também tinha suas peculiaridades.
Em vez de compor seu preço com base no custo de produção mais uma honesta margem de lucro, produtoras de alumínio e cobre, por exemplo, adicionavam a essa conta quanto seus clientes gastariam com frete se fossem importar os lingotes desses metais, cujo preço da tonelada é cotado em bolsa.
Essa matemática não se restringe aos segmentos aqui citados e certamente é levada em consideração pelas empresas que usam essas matérias-primas.
Por Costábile Nicoletta, diretor adjunto do Brasil Econômico