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31/8/2010
Fonte: Brasil Econômico
Agora faça um teste rápido com alguma pessoa que esteja ao seu lado, desenhando-a em um pedaço de papel em 30 segundos! O teste é o mesmo aplicado por Tim Brown, principal executivo da Ideo, uma badalada empresa de design dos Estados Unidos.
De acordo com Brown, toda vez que este teste é feito entre nós, adultos, o desenho, quando mostrado, é quase sempre acompanhado por risadas, um pouco de vergonha e talvez um pedido de desculpas.
Mas quando o mesmo teste é feito com crianças, elas não ficam envergonhadas e querem mostrar suas obras de arte para todos que se interessarem (e até os que não se interessarem), afinal são artistas! E exploradores, inventores e autores.
Mas com o tempo perdemos essa capacidade de criar, de explorar, de inventar e de sermos autores das nossas próprias ideias e passamos a temer o julgamento das outras pessoas. Desenhar a pessoa ao lado já se torna um evento complexo. E, curiosamente, chamamos esta transição de crescimento.
Mas como crescer mantendo a criança dentro de nós sem sermos considerados infantis? A resposta está em um termo ainda não consolidado na sociedade brasileira: empreendedorismo.
Empreender, neste caso, não está apenas associado à criação de um novo negócio, mas à recuperação (ou manutenção) da nossa capacidade de explorar, inventar, inovar e sermos autores da nossa própria história.
E agora vamos à pergunta à qual duvido que saibam a resposta: qual é o melhor momento para você se tornar um empreendedor?
Se esta pergunta for feita, assim, solta, a maior parte das respostas se alinha com o "acho que ainda é muito cedo".
Para estes eternos empreendedores do amanhã, trajetórias como a de Michael Dell (empreendedor aos 13 anos), Bill Gates (empreendedor aos 14 anos) ou de Alexandre Tadeu da Costa, que fundou a Cacau Show aos 17 anos, serão sempre histórias fantásticas de meninos prodígios.
A referência para estes empreendedores do amanhã é a mesma da pessoa do lado que foi desenhada.
Mas, como há cada vez mais empreendedores no Brasil, é bem capaz que você tenha acabado de retratar um agora mesmo. E isso é uma boa notícia para nós, adultos!
Há um número crescente de escolas que ensinam as crianças (por incrível que pareça) a serem mais empreendedoras, há um número ascendente de faculdades que incluíram o empreendedorismo na grade curricular e muitas empresas passaram a valorizar o comportamento empreendedor dos seus colaboradores.
E a grata novidade é que organizações já estão capacitando aposentandos em empreendedorismo, como é o caso do Banco Central.
Quando muitos encaram a pré-aposentadoria como o capítulo final de um livro, outros vislumbram uma sala repleta de autores, inventores, exploradores e artistas.
Na verdade, não há resposta certa para a minha pergunta. Mas há uma única resposta errada: "É muito tarde para empreender!".
Por Marcelo Nakagawa, consultor e professor de empreendedorismo e inovação.