A informação no processo logístico

A logística empresarial tem se tornado, nos últimos tempos, um dos temas mais importantes, senão o mais importante, em todas as empresas.

Fonte: Porto Gente

A diferenciação entre produtos de empresas concorrentes é cada vez menos comum, mesmo que se procure inovar sempre mais. Assim, cabe à competência dos processos a chance de uma empresa se diferenciar de outra, e, com isto, conquistar mais fatia de mercado (market share) ou pelo menos não reduzir sua participação.

Também, há algum tempo, a fim de reduzir custos, de se concentrar naquilo que é o seu core business, cada empresa procurou se desvencilhar do que não era a sua real habilidade. Tudo começou com o deixar de se responsabilizar diretamente por restaurante e segurança, colocando em seu lugar empresas especializadas nessas tarefas. Entretanto, as ideias de terceirização evoluíram para o ambiente produtivo, propriamente dito. Assim, empresas deixaram que parte do que antes se fabricava internamente nelas passasse a ser comprado de outras empresas.

Dessa forma, cresceu fortemente a importância da coordenação das atividades de compras e recebimento de mercadoria e serviços com o planejamento produtivo interno.

Por isso, os meios e formas de comunicação entre fornecedores e a empresa foram fortalecidos, culminando com supply chain management (SCM), com customer relationship management (CRM) e outras formas de tornar a informação disponível da melhor maneira e com caráter instantâneo, a fim de se evitar a existência de estoques de materiais e componentes.

Dentro de cada empresa os processos produtivos são reestudados continuamente de tal sorte que se minimize a existência de estoques intermediários e que se minimize os custos produtivos.

Tudo isso não é à toa. Não só os segmentos empresariais estão mais competitivos, como, por consequência, as margens de lucro estão mínimas, não permitindo erros de planejamento ou de operação.

Do lado oposto estão os clientes, ou o mercado. Cada um com suas particularidades, suas indefinições, suas evoluções.

Segundo o que se define como caminho logístico moderno a produção deve ser puxada pelo cliente. Isto é, a empresa passa a produzir somente após a colocação de pedido pelo cliente. Sabe-se, entretanto, que isso é uma meta e não uma realidade na maioria dos casos.

Entender o mercado conhecê-lo bem, saber que variáveis exógenas o influenciam e como impactam nas previsões de venda, não é tarefa trivial.

O impacto das indefinições de mercado é minimizado quando se trata de relação business to business (B2B).

Em geral na relação entre empresas as informações são bem trabalhadas, e antecipadas o máximo possível, a fim de permitir que não haja falha no suprimento, quer pelo excesso, quer pela falta.

Não raro empresas trabalham com horizontes de planejamento de três a seis meses. Todo esse ambiente empresarial fica exponencialmente mais complexo quando se trata de negócios internacionais. Disponibilidades estão então sujeitas a demandas globais que também são flexíveis. Assim, a fim de garantir a existência de mercadoria, os prazos de planejamento alcançam até um ano (há casos de fornecimento de máquinas especiais como algumas de siderurgia, ou de produtos como aviões e navios, cujos prazos de fornecimento são ainda mais dilatados).

Quanto maiores os prazos de fornecimento mais importantes são as informações mais precisas. Outro fator vital em muitos casos é a disponibilidade de mão de obra treinada e eficiente. Já foi o tempo em que existia sobra de mão de obra nas empresas, que pudessem sair da reserva e começar a trabalhar para atender demandas inesperadas, ou planejamento mal feito.

Novamente a informação precisa estimula um melhor plano de pessoal e consequentemente menor custo e mais eficiência. Isto em ultima palavra quer dizer atender bem ao cliente em preço e em tempo.

O que acontece quando há falha na informação? Mais custo – que implica quase sempre em maior preço -, menor eficiência, maior tempo de resposta pelo fornecedor.

Num mercado competitivo o cliente, mesmo quando tenha dado informação errada, tenta barganhar para que não haja aumento de preço (o que nem sempre é possível).

No mercado Business to Government (empresa e governo) essa máxima nunca é seguida.

Quando há aumento de custo se faz adendo aumentando os preços dos pedidos ou dos contratos. E quem paga a conta ao final é a sociedade. Este é o caso das informações das obras do PAC.

Segundo a reportagem da Folha de São Paulo, as obras do PAC, que são administradas pela Casa Civil, têm informações falseadas ou mentirosas. Quando em atraso, por qualquer motivo são, em primeira avaliação, indicadas com a cor amarela, o que deveria gerar mais atenção ao projeto, e correção das operações. Entretanto o que se faz é alterar os prazos futuros, e tudo passa a ter a cor verde, indicando que está tudo em dia.

E as empresas participantes do PAC que encomendaram matérias primas de seus fornecedores, que pediram contratação e treinamento de pessoal? Como ficam? Ou como ficam seus fornecedores?

Pior de tudo é que algumas dessas obras são para melhora da infraestrutura logística, e estão atrasadas. Ou seja, nosso ambiente logístico, que deve ser um ponto de competitividade internacional, está sendo bombardeado por cima e por baixo.

por Hermann Gonçalves Marx